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    Leilão de Imóvel: Como Checar os Processos Antes de Arrematar

    Antes do lance, leia a matrícula, o edital e os processos do devedor. Veja o checklist e como ter a cópia do processo do leilão.

    Equipe ProcessOnlinePublicado em 6 min de leitura
    Antes de começar

    Vale lembrar: a consulta pública mostra só o andamento do processo do leilão; a penhora, a avaliação e as intimações ficam nos autos, liberados para a parte e o advogado habilitado. Se você vai arrematar e precisa do processo completo em PDF, o ProcessOnline obtém a cópia integral para você.

    Neste artigo

    O apartamento aparece no site do leiloeiro bem abaixo do valor de mercado. As fotos são boas, o edital parece em ordem e o leilão é na semana que vem. A pergunta que separa um bom negócio de anos de dor de cabeça não está no anúncio: que processos existem em torno desse imóvel e do seu dono? A resposta está na matrícula, no edital e, principalmente, dentro dos autos.

    Resposta rápida: antes de dar o lance, leia três coisas: a matrícula atualizada do imóvel, o edital do leilão e os processos ligados ao imóvel e ao devedor. No leilão judicial, confira nos autos se as pessoas que a lei manda avisar foram cientificadas (CPC, art. 889) e se há outras penhoras, recursos ou discussões pendentes. Em qualquer leilão, pesquise as ações contra o antigo proprietário. A consulta pública mostra o andamento; para ler as decisões e as intimações, você precisa da cópia do processo.

    Leilão de Imóvel: Como Checar os Processos Antes de Arrematar

    Judicial ou extrajudicial: muda o que você deve olhar

    • Leilão judicial: o imóvel foi penhorado em um processo (execução ou cumprimento de sentença) e é vendido por ordem do juiz. Tudo o que importa (penhora, avaliação, intimações, recursos) está nos autos daquele processo.
    • Leilão extrajudicial: comum em imóveis financiados com alienação fiduciária (Lei 9.514/1997), como os leilões de bancos. Não há processo na origem, mas pode haver ações do antigo devedor discutindo o contrato ou o próprio leilão, além de ações de terceiros contra ele.

    Nos dois casos, o comprador precisa saber o que está correndo na Justiça antes de colocar dinheiro.

    Primeiro passo: a matrícula

    A matrícula é a certidão do imóvel no Registro de Imóveis. Peça a atualizada e leia de cima a baixo:

    • Proprietário atual e se ele é mesmo o executado (ou o devedor fiduciante).
    • Penhoras registradas, de quais processos, e se há mais de uma.
    • Averbação premonitória (art. 828 do CPC): aviso de que existe uma execução contra o proprietário.
    • Hipotecas, alienação fiduciária, indisponibilidades e outros ônus.
    • Ações averbadas que discutem a propriedade ou a posse do imóvel.

    Cada averbação que cita um processo é um número CNJ para pesquisar. Anote todos.

    Segundo passo: o edital

    O edital diz o que está sendo vendido e em que condições: descrição do imóvel, avaliação, lance mínimo, forma de pagamento, débitos que acompanham ou não o imóvel (condomínio, IPTU), ocupação e a lista de ônus e recursos pendentes que o juízo ou o leiloeiro conhecem. Compare o edital com a matrícula. Divergência é sinal de que algo precisa ser lido nos autos.

    Terceiro passo: os processos

    No leilão judicial

    O processo de origem é o mais importante. Nele você confere:

    1. A penhora e a avaliação: se foram feitas e se houve impugnação ainda não decidida.
    2. As cientificações do art. 889: o CPC manda cientificar da alienação judicial, com pelo menos 5 dias de antecedência, entre outros, o executado, o coproprietário de bem indivisível e o credor com garantia real (hipoteca, alienação fiduciária). Falha nessas intimações é argumento comum para tentar desfazer a venda.
    3. Recursos pendentes contra a decisão que mandou leiloar ou contra a avaliação.
    4. Outras penhoras do mesmo imóvel em outros processos, que aparecem na matrícula.
    5. A ocupação: se o imóvel está ocupado e por quem, o que influencia o tempo e o custo da posse.

    No leilão extrajudicial

    Pesquise as ações em que o antigo devedor é parte: ações revisionais do financiamento, anulatórias do leilão, discussões sobre a consolidação da propriedade. A consulta por CPF ajuda, mas cada tribunal tem as suas regras, e a busca é tribunal a tribunal.

    Outras ações contra o proprietário

    No leilão judicial, as penhoras e os créditos de outros processos, em regra, passam a recair sobre o preço pago (art. 908, § 1º, do CPC), e não sobre o arrematante. Mas cada averbação precisa ser cancelada no processo de origem, e indisponibilidades podem atrasar o registro da carta de arrematação. No leilão extrajudicial, ações do antigo devedor contra o banco podem discutir a própria consolidação da propriedade. Já a fraude à execução (art. 792 do CPC) é o risco típico de quem compra o imóvel diretamente do devedor, fora do leilão, por exemplo quando a execução já estava averbada na matrícula. Por isso a pesquisa não se limita ao processo do leilão.

    Checklist antes do lance

    1. Matrícula atualizada em mãos, com todos os números de processo anotados.
    2. Edital lido inteiro e comparado com a matrícula.
    3. Número CNJ do processo do leilão (no judicial) e a lista de processos citados na matrícula.
    4. Andamento de cada um conferido na consulta pública do tribunal: veja o Guia de Tribunais para achar o portal certo.
    5. Autos completos do processo do leilão: penhora, avaliação, intimações do art. 889, decisões e recursos.
    6. Pesquisa das ações contra o proprietário ou o antigo devedor.
    7. Débitos do imóvel (condomínio, IPTU) e regra do edital sobre quem paga. No leilão judicial, o IPTU anterior se sub-roga no preço (CTN, art. 130, parágrafo único; STJ, Tema 1.134); o condomínio depende do edital. Confirme com o advogado.
    8. Situação de ocupação e custo provável de desocupação.
    9. Análise de um advogado com tudo isso na mesa, antes do lance e não depois.

    Por que a consulta pública não basta

    A consulta pública mostra que houve "expedição de intimação" ou "juntada de AR", mas não diz quem foi intimado, quando e se deu certo. Isso está nas peças. E as peças, no portal, só abrem para a parte e o advogado habilitado. Entenda melhor quem pode ver os autos do processo. Para ler os nomes das movimentações, veja o que significa cada andamento.

    Como o ProcessOnline ajuda

    1. Digite o número do processo do leilão na página inicial e veja a capa de graça.
    2. Peça a cópia integral: o robô do ProcessOnline busca os autos no tribunal por você e entrega um único PDF com capa, com penhora, laudo de avaliação, intimações e decisões.
    3. Receba o link por e-mail, normalmente em minutos (alguns tribunais levam mais). O arquivo fica disponível por 7 dias.

    Repita para cada processo citado na matrícula. Já arrematou e quer acompanhar o que acontece depois (recursos, pedido de anulação, expedição da carta de arrematação)? O monitoramento de processos avisa por e-mail a cada nova movimentação.

    Se o processo estiver em segredo de justiça, avisamos e o crédito volta para a sua conta.

    Conclusão

    Em leilão, o desconto é o preço do risco que o comprador assume. Ler a matrícula, o edital e os autos antes do lance é a forma de saber que risco é esse. O andamento conta parte da história; as peças contam o resto.

    Já tem o número do processo? Consulte aqui, de graça.

    Não tem o número? Veja no topo de qualquer documento do processo.

    Perguntas frequentes

    Onde encontro o número do processo de um leilão judicial?

    No edital do leilão, que sempre identifica o processo e o juízo, e na matrícula do imóvel, que registra a penhora com o número do processo. Com esse número você consulta o andamento no tribunal e pode pedir a cópia integral.

    O que verificar nos autos antes de arrematar?

    A penhora e a avaliação, se houve impugnação, se o executado e os demais interessados foram cientificados da alienação com pelo menos 5 dias de antecedência (art. 889 do CPC), se há recursos pendentes e se existem outras penhoras do mesmo imóvel. A análise final deve ser feita por um advogado.

    Em leilão de banco (alienação fiduciária) também preciso pesquisar processos?

    Sim. Não há processo na origem, porque o leilão segue a Lei 9.514/1997, mas o antigo devedor pode ter ações discutindo o contrato ou o leilão, e terceiros podem ter ações contra ele. A pesquisa é feita pelo nome ou CPF, tribunal a tribunal.

    O ProcessOnline diz se vale a pena arrematar?

    Não. O ProcessOnline entrega a cópia integral dos processos em PDF para que você e o seu advogado façam a análise. A decisão de dar o lance, e a avaliação do risco, ficam com você.

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